Dream come true

Yoko Ono faz retrospectiva no Malba

Artista pioneira que tentou desmaterializar a arte décadas atrás, mas que se tornou mundialmente famosa como esposa do ex-beatle, John Lennon, Yoko Ono faz sua  primeira retrospectiva na Argentina. A exposição Dream come true, em cartaz no Museu Latino-Americano de Arte, em Buenos Aires, está impregnada de mensagens positivas de Yoko que não pôde comparecer à abertura do evento.

Ao cancelar sua viagem á Argentina, por motivos de saúde, a artista deixou uma mensagem, gravada em vídeo,  que foi projetada no auditório para as pessoas que estiveram presentes na abertura da exposição: “ Alô, Buenos Aires. Estou com vocês em espírito, para celebrar esta mostra incrível. Ao visitá-la, , vocês vão perceber que todo meu trabalho está ali – em arte, música e performance. Só necessita de sua participação. Tomara que seja algo misterioso para vocês neste momento, porém, ao participar, saibam algo sobre vocês. Divirtam-se com ela e lembrem-se que vocês e eu estamos criando agora, juntos. Todas as obras estão se sacudindo de felicidade por estarem em Buenos Aires e cantam: “ Um sonho que se tornou realidade. Quero vocês”.

Os curadores  da exposição, Gunnar B. Kvaran e Agustín Pérez Rubio, diretor artístico do Malba, junto com Graciela Speranza, enfatizaram que as instruções de Yoko Ono são um eixo fundamental de seu trabalho, desde quase meio século. “Foi esse um    dos motivos  que nos levou a  convidá-la  para  celebrar os 15  anos do museu”, disse Rubio. O Malba faz aniversário em 21 de setembro, e a exposição fica em cartaz até final de outubro.

Foto: Rodrigo Néspolo

Para instalar  uma escada azul idealizada  por Yoko para que “ o céu seja visível  a partir dos últimos degraus”,   a direção do museu teve que abrir um buraco no teto da instituição. Por outro lado, a artista lançou a convocatória Arising/Resurgiendo, por meio da qual convida as mulheres latino-americanas vítimas da violência de gênero a enviar uma fotografia de seus olhos e um testemunho pessoal de forma anônima. Esses relatos podem ser lidos online até 16 de outubro, e alguns podem ser exibidos em uma sala do Malba, junto a outra instrução: “ Escuta teu coração, respeita tua intuição, se manifeste, pois não há limites”.

Conhecida por slogans, criados desde os anos 1960,  a artista deixa espalhada pelo museu alguns deles, como “ Toquem uns aos outros”; “ Tente não dizer nada negativo sobre nada”; “Escuta sua respiração”; “ Veja com cuidado. Enquanto o faz, pensa em consertar o mundo”; “ Estampa a paz na cidade que quiseres” e “ Imagina a paz”, tema central de suas ações realizadas por ela e John Lennon.

Uma das aspirações dessa  exposição, de acordo com os curadores,   é expandir  o museu por todo o continente, em sintonia com outra das missões  do Malba: convertê-lo em uma referência regional.

Fonte: jornal La Nación
Brasília, 24 de junho de 2016